quarta-feira, 5 de maio de 2010

Caatinga.

Para falar da Caatinga antes de mais nada há que se despir de
alguns preconceitos, principalmente daqueles relacionados aos
aspectos da pobreza paisagística e da biodiversidade, características
adotadas por quem desconhece a riqueza e importância da “Mata
Branca”.

Embora a diversidade de plantas e animais em ambientes
áridos e semi-áridos seja menor que nas luxuriantes florestas
tropicais, os desertos apresentam plantas e animais adaptados a
suas condições extremas, o que os torna ambientes com alta taxa de
endemismos de fauna e flora.

A vegetação da Caatinga não apresenta a exuberância verde
das florestas tropicais úmidas e o aspecto seco das fisionomias
dominadas por cactos e arbustos sugere uma baixa diversificação
da fauna e flora. Para desvendar sua riqueza, é necessário um olhar
mais atento, mais aberto. Assim ela revela sua grande
biodiversidade, sua relevância biológica e sua beleza peculiar.

Merece destaque a multiplicidade de comunidades vegetais,
formadas por uma gama de combinações entre tipos edáficos e
variações microclimáticas. São inúmeras e de grande interesse a
variedade de estratégias para sobreviverem aos períodos de
carência de chuvas que as espécies apresentam. Muitas plantas
perdem suas folhas para reduzir a perda de água nos períodos de
estresse hídrico, renovando-as quando as chuvas chegam de uma
forma tão rápida e espetacular que a paisagem muda quase que da
noite para o dia; diversas ervas apresentam ciclos de vida anuais,
crescendo e florescendo no período das águas; os cactos e
bromélias acumulam água em seus tecidos e há uma predominância
de arbustos e arvoretas na paisagem. Além disso, existe na
Caatinga uma proporção expressiva de plantas endêmicas. Diversas
destas plantas são comumente utilizadas pela população por suas
propriedades terapêuticas.

Dentre a fauna, os répteis e anfíbios merecem destaque. São
conhecidas para a região semi-árida 97 espécies de répteis e 45 de
anfíbios. No que se refere às aves, existem espécies endêmicas e a
riqueza de uma mesma localidade pode ultrapassar 200 espécies.
Poucos são os mamíferos endêmicos da Caatinga, mas nesta região
muito ainda está para se descobrir, aguardando a realização de mais
estudos...

Contrastando com a relevância biológica da Caatinga, o
bioma pode ser considerado um dos mais ameaçados do Brasil.
Grande parte de sua superfície já foi bastante modificada pela
utilização e ocupação humana e ainda muitos estados são carentes
de medidas mais efetivas de conservação da diversidade, como a
criação de unidades de conservação de proteção integral. Hoje em
dia já é muito difícil encontrar remanescentes da vegetação nativa
maiores que 10 mil hectares e os mais expressivos estão nos
estados da Bahia e Piauí.


Leal, I.R.;Tabarelli, M.; Silva, J.M.C.; prefácio de Barros, M.L.B. Ecologia e conservação da caatinga – Recife : Ed. Universitária da UFPE, 2003.
822 p.

CONFIRA: http://www.mma.gov.br/estruturas/203/_arquivos/livro_ecologia_e_conservao_da_caatinga_1_203.pdf

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